sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Apresentação no Teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais
Belo Horizonte/Brasil
Projeto Zás/ Outubro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Marcando presença...

Minha participação na Noite Cultural durante o Seminário Patrimônio e Desenvolvimento, realizado em Quixeramobim (CE), no dia 11 de novembro:

"O público pôde ainda acompanhar o desempenho do ator mineiro José Maria Gonçalves, do Grupo Caminhos do Sertão. Em sua estréia no Ceará, encenou o conto de João Guimarães Rosa, “Meu tio o Iauuratê”, que trata da relação criada entre um caçador e as onças que deveria matar. Para ficar ao lado de onças como “Maria Maria”, ele se distancia da sociedade, repensa a relação com os homens e as angústias da solidão."
Leia mais...
http://www.patrimoniovivo.com.br/blog/iphanaq-blog/categoria/seminario/comeca-o-seminario-patrimonio-e-desenvolvimento

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Para ser contador de histórias...

"Primeiramente é preciso ter dom para isso, facilidade para transmitir. Depois se empenhar. Decorar é um trabalho pesado. Precisa aprofundar no texto escolhido e não deixar nele nada escondido. Pelo menos deixar trazer tudo que há no texto à tona. Entretanto, o texto sempre esconde algo de nós. Pela vida afora, vamos descobrindo coisas novas no conto, jeito novo de falar. O narrador precisa fazer constantes pesquisas sobre seu texto, fazer experimentações e ver se a platéia aprova. Se deu certo, incorpora aquele novo jeito, aquela nova entonação, aquele gesto à sua narração. Pesquisar sempre..."

Extraído da entrevista concedida por NENZITO ao blog www.refletere.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quixeramobim, Ceará, estamos chegando...

Ator mineiro encena Guimarães Rosa 

O Seminário Patrimônio e Desenvolvimento, que será realizado nos dias 11 e 12 de novembro, em Quixeramobim, vai permitir um intercâmbio cultural entre a terra de Antônio Conselheiro, líder político e religioso de Canudos, e Cordisburgo, berço de um dos maiores escritores brasileiros, Guimarães Rosa. O ator mineiro José Maria Gonçalves apresenta uma performance teatral na noite de quinta-feira (11), no Hotel Veredas do Sertão e participa, na sexta-feira (12), da Mesa de Debates Experiências Sociais no Campo Patrimônio. José Maria é um dos fundados do Grupo de Teatro Caminhos do Serão, de Cordisburgo, que encena contos de Guimarães Rosa.

O Grupo surgiu em 1998 com o propósito de mostrar ao público os lugares reais dentro de Cordisburgo descritos na obra do escritor Guimarães Rosa. “No princípio, líamos os trechos para uns poucos acompanhantes. Era uma caminhada urbana. Depois passamos a mostrar os lugares citados na literatura também nos arredores da cidade. Aí já estávamos narrando. Depois, evoluímos para encenar alguns contos, o que fazemos até hoje”, explica José Maria. Atualmente, o grupo é composto por seis atores/narradores, um violeiro que canta temas alusivos ao texto que será narrado ou encenado e um especialista na obra que explica os textos.

Na Semana Roseana, evento acontece todo mês de julho, em Cordisburgo, o Grupo Caminhos do Sertão guia o público numa caminhada rural na companhia de muitos personagens de Guimarães Rosa. Segundo José Maria, a atividade do grupo popularizou a obra do escritor na sua cidade natal. “Os contadores de estórias contribuem para a cidade se orgulhar do Guimarães e dos contadores”, diz.

É exatamente essa experiência que José Maria vem compartilhar com a cidade de Quixeramobim. Ele avalia que, assim como foi feito em Cordisburgo com a memória de Guimarães Rosa, um trabalho de conscientização sobre o personagem de Antônio Conselheiro e sua importância na história do Brasil deve ser intensificado na cidade cearense. “As pessoas daí precisam saber que pessoas distantes admiram este grande personagem. E fazer este trabalho (de conscientização) a partir das escolas. Nós, de Cordisburgo, podemos passar a nossa experiência com este tipo de trabalho. E nossa experiência é como contadores de estórias”, sugere.

domingo, 24 de outubro de 2010

Nenzito - Agenda

31/10/10
Montes Claros/MG - Semana Cultural
 Show Contando e cantando o sertão com  Nenzito e Elvis

11 e 12/11/10
Quixeramobim/CE
Evento Novembro cultural

19 e 20/10 
São Paulo/SP 
Lançamento de livros e apresentação em dois colégios - Nenzito, Fábio e Brasinha.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Em cena...

Teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais
Projeto Zás
03/09/2010









domingo, 10 de outubro de 2010

Entrevista


Entrevista concedida ao sociólogo e professor universitário, Moisés Augusto Gonçalves, publicada em http://www.refletere.blogspot.com/


Moisés Augusto – Pra começo de conversa, José Maria ou Nenzito?


Nenzito- Meu nome completo é José Maria Gonçalves. Sou chamado de Zé Maria, por uns e de Nenzito, por outros. Nasci em Cordisburgo, 7º filho do casal José Gonçalves Filho e Dona Elvira de Assis Barbosa. Estudei as primeiras letras em casa mesmo, com minha mãe. Eu pegava uma revista e perguntava minha mãe que palavras eram aquelas em letra grande, na capa. Minha mãe lia e destrinchava a palavra, explicando cada sílaba. Quando me matricularam no Grupo Escolar Mestre Candinho, com quase 10 anos, eu já lia regularmente. Não me matricularam antes esperando que eu crescesse, porque tinham pena de colocar alguém tão pequeno na escola. Quando viram que o tempo passava e altura não aumentava, o jeito foi me deixar entrar na Escola. Eu já lia e na sala de aula ajudava a professora a corrigir os deveres. Terminado o primário em 1957, comecei logo o Ginásio Comercial de Cordisburgo. Não tinha como continuar os estudos, porque em Cordisburgo não tinha o colegial e meus pais não tinha recursos para mandar-me estudar fora. Cinco anos depois, matriculei-me no iniciante curso de Magistério. Terminado, consegui uma vaga para dar aula em uma escola estadual no meio rural. Lecionei durante três anos. Mais tarde, ao notar minha fragilidade em matemática, matriculei-me no curso de Técnico em Contabilidade. Terminando o curso, tentei vestibular na Faculdade de Direito de Sete Lagoas, tendo sido aprovado. Advoguei apenas por um tempo. Não advogo mais. Trabalho na Prefeitura Municipal de Cordisburgo, no Setor de Tributação e Fiscalização, desde 02/01/1985. Nada a ver com minha vocação artística... Felizmente, estou em vias de me aposentar por idade. Onde me realizo mesmo, é como contador de histórias, atividade que me dá satisfação pessoal. Adoro viajar por este Brasil contando histórias de minha terra, minha gente e do nosso Guimarães Rosa. Em breve, eu e outros colegas contadores faremos uma turnê de 24 dias no estado de São Paulo, com apresentações na capital e no interior.


Moisés Augusto - E os amores?


Nenzito - Continuo solteiro, por opção (das mulheres, infelizmente). Moro com meu filho, Vítor, de 13 anos. Já fui das baladas, das noitadas, das bebidas, do cigarro. Hoje a casa me conquistou: o filme, o livro, a cama, o quintal, os animais domésticos, a música. Adoro caminhar no semi-escuro da madrugada, sozinho com meus pensamentos e com os primeiros chilreios dos pássaros como que fazendo sua oração matinal. Curto a minha “sozinhidão”, como dizia Guimarães.




Moisés Augusto – Você é membro da Academia Cordisburguense de Letras. Continua escrevendo...


Nenzito - Já arrisquei escrever uns versinhos, mas acho que a fonte secou. Gosto de mergulhar todo na rica literatura roseana, me nutrir de seus sabores e encarnar seus personagens, tão colocados ao nosso chão...


Moisés Augusto - O que é ser um contador de histórias?


José Maria (Nenzito) - É mergulhar no mundo mágico da literatura e transmiti-la através da narração. Arrancar os personagens que estão costurados no papel e lhes dar vida. Mergulhar no conto, na história à procura dos sentimentos e expô-los à luz. Maravilhar-se quando se enamora de uma estória e começar o romance que só pode acabar em casamento. Não há incompatibilidade de gênios desde que houve simpatia no primeiro olhar.




Moisés Augusto - O que é narrar Guimarães Rosa?


Nenzito- Há dois tipos de narração: liberdade em relação ao texto, onde o narrador pode descolar-se no texto e até criar algo dentro do texto, e fidelidade ao texto. Guimarães Rosa está neste segundo. Com ele mais que com qualquer outro, o narrador é cativo do texto. Se fala uma palavra que não é do autor, ela grita desesperada: “EU ESTOU SOBRANDO AQUI!...” É um texto mais difícil de decorar. Mas para quem mora no meio sertanejo, para quem vive fora das metrópoles, é saudável e gostoso narrar o Rosa. Dar vida, cara e voz ao sertanejo. Mas é preciso conhecer o sertanejo assim como é preciso conhecer o Rosa. Um cidadão cosmopolita que conhece bem a literatura Roseana, mas não conhece o sertanejo, terá dificuldades de narrar trechos de Guimarães Rosa. É uma delícia narrar Guimarães Rosa, sobretudo para seus admiradores!


Moisés Augusto - O que é preciso pra ser um bom contador de histórias?


Nenzito - Primeiramente é preciso ter dom para isto, facilidade para transmitir. Depois se empenhar. Decorar é um trabalho pesado. Precisa aprofundar no texto escolhido e não deixar nele nada escondido. Pelo menos tentar trazer tudo o que há no texto à tona. Entretanto, o texto sempre esconde algo de nós. Pela vida afora vamos descobrindo coisas novas no conto, jeito novo de falar. O narrador precisa fazer constantes pesquisas sobre seu texto, fazer experimentações e verificar se a platéia aprova. Se deu certo, incorpora aquele novo jeito, aquela entonação, aquele gesto à sua narração. Pesquisar sempre.


Moisés Augusto – O que mais te toca na obra de Guimarães Rosa? Há algum personagem em especial ou texto com o qual você mais se identifique?


Nenzito – O que mais me toca na obra roseana é o conhecimento do Guimarães sobre a alma, a natureza humana: o homem, sua grandiosidade, e suas baixezas. O ser humano como é. O bem e o mal em luta dentro de cada um. Por isso ele disse que o sertão é do tamanho do mundo. O conflito faz parte de nós, assim como a paz. “O diabo não há, o que há é o homem humano, travessia”. “Que Deus existe, sim, devagrinho, depressa, ele existe, mas quase só por intermédio da ação das pessoas, dos bons e maus” (citações de Grande Sertão: Veredas). E assim eu já respondo à segunda pergunta: O personagem com quem mais me identifico é Riobaldo de GS: Veredas com suas incertezas, sua valentia e seus medos.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Projeto Zás - toda sexta-feira, meio-dia

Contando e Cantando o Sertão - Nenzinto, apelido de José Maria Gonçalves, nasceu em Cordisburgo/MG e, juntamente com o violeiro Elvis Carlos de Souza, faz parte do grupo Caminhos do Sertão, que percorre o interior do estado divulgando em caminhadas eco-literárias parte da obra roseana. No espetáculo o contador de histórias e o violeiro narram contos e causos ao som da viola caipira em que, entre outros temas, são abordados a valorização da música regional dos cantos de aboio - cantos utilizados pelos trabalhadores durante o trabalho na roça -, versos de domínio publico, cirandas, entre outros estilos recolhidos pelo escritor pelas suas andanças pelo sertão mineiro. José Maria é formado em Direito e desde o colégio é um admirador da obra de outro o filho ilustre de Cordisburgo, Guimarães Rosa, além de contar estórias faz peças teatrais e aplica oficina de narração de histórias. O violeiro Di Souza iniciou na música em 1994, quando aprendeu a tocar a viola caipira em um instrumento emprestado. Autodidata teve como foco inicial a MPB, mas com o passar do tempo descobriu que tinha à sua disposição tema, inspiração, razão e mais do que motivos para dedicar-se à cultura local da cidade onde nasceu e foi criado. No Zás, o contador de causos e o violeiro se apresentam sempre acompanhados da viola caipira e, entre um causo e outro, realizam trocas de figurinos no palco, dependendo do ambiente abordado em cada um dos contos de Guimarães.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Projeto Zás 'Contando e Cantando o Sertão'

O Projeto Zás apresenta, nessa sexta-feira, dia 3 de setembro, apresenta o show "Contando e Cantando o Sertão" com Nenzinto e violeiro Elvis Carlos de Souza, que fazem parte do grupo Caminhos do Sertão, às 12:00 horas, no Teatro da Assembléia.

Contando e Cantando o Sertão - Nenzinto, apelido de José Maria Gonçalves, nasceu em Cordisburgo/MG e, juntamente com o violeiro Elvis Carlos de Souza, faz parte do grupo Caminhos do Sertão, que percorre o interior do Estado divulgando em caminhadas ecoliterárias parte da obra roseana.

No espetáculo, o contador de histórias e o violeiro narram contos e "causos" ao som da viola caipira. Entre outros temas, são abordadas a música regional dos cantos de aboio - cantos utilizados pelos trabalhadores durante o trabalho na roça -, os versos de domínio público e as cirandas, entre outros estilos, recolhidos pelo escritor em suas andanças pelo sertão mineiro. José Maria é formado em Direito e, desde o colégio, é um admirador da obra de outro, o filho ilustre de Cordisburgo, Guimarães Rosa. Além de contar estórias, faz peças teatrais e aplica oficinas de narração de histórias.

O violeiro Di Souza iniciou-se na música em 1994, quando aprendeu a tocar a viola caipira, utilizando um instrumento emprestado. Autodidata, teve como foco inicial a MPB, mas com o passar do tempo descobriu que tinha à sua disposição tema, inspiração, razão e mais do que motivos para dedicar-se à cultura local da cidade onde nasceu e foi criado.

No Zás, o contador de "causos" e o violeiro se apresentam sempre acompanhados da viola caipira e, entre um "causo" e outro, realizam trocas de figurinos no palco, dependendo do ambiente abordado em cada um dos contos de Guimarães.

O projeto Zás acontece todas as sextas, ao meio dia no Espaço Político-Cultural Gustavo Capanema , que fica na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Saudações...


"O filho mais ilustre de Cordisburgo, nosso genial escritor Guimarães Rosa, embora tenha aqui residido apenas até aos nove anos, contaminou-se com o bacilo Cordisburcocos aeternum, que faz com que a pessoa contaminada carregue o amor pela cidade do coração eternamente. Embora tenha viajado o mundo e visto cidades encantadoras como Paris, Viena, Roma, Berlim, Amsterdã, elas com sua grandeza e magnificência, não conseguiram ofuscar o brilho que para ele tinha a pequena Cordisburgo. Viu e encantou-se com as belezas do Danúbio. Mas não se esqueceu do nosso Ribeirão do Onça onde nadava quando em criança. Aprendeu muitos idiomas como o russo, mandarim, grego, sânscrito, e diversos outros, mas não se esqueceu de nossas palavras tão nossas: de primeiro, é peta, viche maria, curuz, nunsiquidiga, diogo e outras mais. (nunsiquidiga era como minha mãe nos chamava quando queria nos xingar de capeta em outra língua e Diogo era o substutivo de Demônio). Provou iguarias as mais variadas, mas não se esqueceu do cobu, o pão-de-queijo, a abóbora com quiabo e angu, o doce de mangaba.

Penso também em Neruda:

Perdão, se quando quero contar minha vida
é terra que conto. Esta é a terra: cresce em teu
seio e cresces. Se se apaga em teu seio te apagas.


Extraído do discurso de saudação ao empossando Moisés Augusto Gonçalves, na Academia Cordisburguense de Letras (31/07/2009)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Caminhos do ser-tão...























Arcos, Minas Gerais, 15 e 16 de maio de 2010
Casa de Cultura

quinta-feira, 20 de maio de 2010

NENZITO

Contador de histórias

Pela primeira vez em Arcos (MG)!

Show

"Pelos caminhos do ser-tão"

15 e 16 de maio

Local: Casa de Cultura

20:00 horas

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Agendando...


Pessoal,

um 2010 cheio de alegrias e arte. A alegria da arte e a arte da alegria! Estou organizando minha agenda de Contador de Histórias para o ano que se inicia. Conto com todos vocês para ampliar os espaços! Tenho realizado trabalhos importantes por todo o Estado de Minas Gerais e fora (São Paulo e Bahia). Estou à disposição para ministrar Oficinas de Contação de Histórias em Colégios, eventos, Universidades, nas ruas, becos, praças e montanhas. Não se esqueçam: para um trabalho coletivo e de qualidade tem o Grupo Caminhos do Sertão, do qual tenho a honra de ser membro.

Contatos com meu produtor, Moisés Augusto Gonçalves:


Celular: (31) 9703-0565

ou com minha modesta pessoa: (31) 9267-4807

Um abração sertanejo!

Nenzito (Zé Maria)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

SILÊNCIO

Os sinos de Natal
quem bimbalaram
e me embalaram
se calaram.

Agora me calo
sem seu bimbalo.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009


Fui funcionário público municipal por vinte e quatro anos e sete meses. Um dos flagelos que nos assolavam era o atraso de pagamento. De certa feita, nos pagaram o 13º em fevereiro. Revoltado escrevi o texto abaixo e enviei para meus colegas de infortúnio.


AINDA É NATAL


Pelos tempos a fora os cristãos relembram alegremente em dezembro, a felicidade dos humanos com a vinda de Jesus, o Salvador da humanidade.

No final do século XIX, aconteceu na Inglaterra a chamada Revolução Industrial, que deu a luz ao capitalismo que por sua vez pariu o deus Mercado, que vê na alegria do Natal ótima oportunidade de encher a barriga com seu alimento preferido: o lucro.

Com a finalidade de agradar ao deus Mercado, foi criado o 13º salário para que o pobre trabalhador tenha a ilusão de que é consumidor e consuma(-se?).
Ficamos então com esta dicotomia: existem dois natais. O Natal cristão e o natal profano. No cristão cultuamos Cristo, agradecemos sua vinda. No profano, empurrados pela mídia, lançamo-nos nos braços do deus pagão e consumimos(-nos?).


Como o trabalhador assalariado de baixa renda precisa do 13º salário para fazer seu natal profano e só agora em fevereiro nós recebemos nosso décimo terceiro, para nós ainda é natal. Festejemos juntos, colegas, e cantemos aquela paródia que fiz sobre a versão da Simone: Então é Natal:

Então é Natal!
e o pagamento quem dera!
Nada de 13º
e a esperança já era.

Então é Natal!
e o prefeito onde está?
Comendo peru,
champangne e caviar!

Então é Natal
e tua ceia e os presentes
o sorriso, a alegria?
Está tudo ausente!

Então é Natal!
e só nos resta o choro!
Se estamos todos juntos,
choremos em coro!

sábado, 28 de novembro de 2009

OS NOMES

Quase sempre um nome tem uma razão de ser, uma história. O nome das pessoas é frequentemente escolhido em homenagem a alguém: um parente, um santo, um vulto histórico. O nome dos lugares públicos também homenageia pessoas que fizeram algo de notável pelo povo em algum tempo ou lugar: um feito heróico, religioso; alguém que destacou na política, nas artes, nos esportes, etc. Assim temos, em Cordisburgo: Avenida Padre João, Rua Cel. Geraldino Rocha, Rua Prefeito Dimas Henrique de Freitas, Rua Expedicionário José Gomes da Silva, Galpão Augusto Diniz Costa, Praça Jovito Pereira.
Estranhamente porém, em meio a nomes de benfeitores da cidade, magos sem fraque retiram estranhos nomes da cartola. Nomes que por mais que apuremos os ouvidos, eles nada nos dizem. Por exemplo: Eduardo Rios Neto, alguém já o tinha ouvido antes? Cláudio Pinheiro de Lima, idem. Albertina Diniz Maciel, idem, idem. E Conceição Patrus? O sobrenome não me é estranho, mas a pessoa, quem é? O que fez de notável aqui ou alhures?
Por falar em denominação, perdi uns fios de cabelo, outros branquearam tentando descobrir porque nosso ginásio coberto recebeu o nome de “Centro Educacional Conceição Patrus!” Educacional!? Meu Deus! Seria obra de antigo professor do Ginásio Comercial de Cordisburgo tendo um crise de nostalgia? Seria senilidade precoce do dito senhor? Ou a caduquice prematura seria minha que não evoluí com o tempo, pois eu juraria que aquilo seria um centro esportivo?
É peta. Cansado de espremer o cérebro pergunto a todos que encontro. Até que enfim meu esforço é recompensado: Alguém do fundo da cozinha, ou melhor, do fundo do gabinete do homem, explicou-me que era para poder destinar verba da educação para lá, já que sobrava dinheiro da educação. Santo Deus, acuda-me! Agora é que entendo menos: escolas rurais caindo aos pedaços, professoras ganhando o mesmo que serventes, material escolar e didático deficitário!… Ah! Entendi! Por isso mesmo é que está sobrando dinheiro!
Desculpem a divagação. Voltemos aos nomes. Enquanto alienígenas ocupam lugar de destaque, personagens nossos são esquecidos. Por que não dar ao ginásio o nome de Bené Liboreiro, grande batalhador pelo esporte em nossa cidade? E o Zezé Leone batalhador contra as doenças, que tantas vezes serviu de médico e dos bons, porque não tem nada com o nome deste herói da saúde em nosso Município?


Nenzito (Zé Maria)
Cordisburgo, junho de 2006

A BESTA


Tão lúcido é o infinito que
ainda se vê no espaço
os rastros do último sonho

Tudo tão aqui e tão longe e tão lá. O possível impossível, a pessoa impassível. São trôpegos os passos no passo-a-passo, sem compasso, sem paços, sem espaços. Nas paredes movem-se lépidas lagartixas de ouro. Num instante sou Ponce de Lion a decifrar estranhas trilhas e faísco ouro em meu coração, que qual lavra seca mostra o estéril veio. Não há ouro, há a utopia a preencher vazios poeirentos do Cosmos terrestre. Há inscrições rupestres na alma pré-histórica que luta com mastodonte hodierno com bafo de sepulcro e pestífero arfar do peito mesozóico. Horrível monstro que se revolve furioso em sua furna urbana e destrói com cauda insana, sonhos recém-nascidos e já recém-morridos. E o debater do meu último suspiro haverá de encontrar galáxias nos meus globos oculares que roubam sangue vital ao organismo, no afã de se misturar ao sangue podre do Cordistauro, para num sentimento nobre mas vão, tentar desputrifcar o sangue do ignóbil ser que habita as profundezas do nada no Labirinto Municipal, de onde gordo em sua dieta de sonhos, emerge a toda hora para mais um banquete.
E das profundezas de mim venho a janela dos olhos ver se o sol nasceu. Mas horrível realidade se impõe e submerjo no oceano de lágrimas, cansado de adiar para outro século a felicidade.
Mas hei de sair de minha terrível gaiola, para liberto enfim da tirânica pata, entoar o cântico estridente da liberdade, onde eu, pássaro de mim, ganharei os ares e irei jogar na fornalha ardente do sol, a imagem do terrível ser, arrancada de dentro dos meus pesadelos reais.
Ser enfim um novo cidadão, já liberto da opressão do anti-homem, que nos estertores de sua ignomínia, haverá de ainda relancear olhares gulosos a procura dos tenros sonhos. E morrendo de inanição, não haverá de se arrepender dos crimes, porque o fazendo perderá o direito de entrar no mundo metafísico dos monstros tridimensionados. E expulso de todos os corações, vagará zumbi por estranhas paragens monstruosas, que sobressaltam mesmo horripilantes seres.
E das encostas dos montes novamente jorrará leite e mel, e flores se abrirão ao fulgir das luzes da liberdade.

Nenzito (Zé Maria)
Cordisburgo, 14/11/1989

sábado, 14 de novembro de 2009

Miragem


de vez em quando, minha veia poética transborda meus eus...

Tu és pra mim miragem
abstração do ser concreto
concretização de um afeto.

existes não existindo
só ideal vindo
do meu intelecto.

só imagem a mente
coração inconformado sente
a presença do visul, deserto.

a imagem na mente
sinto forte carência
de ti ver perto.

Na presença de tua ausência
dinto forte carência
de ti ver perto.

de te ver no tato
de sentir de fato
se existes, amor dileto...

NENZITO (Zé Maria)

terça-feira, 20 de outubro de 2009




www.youtube.com/watch?v=SPsvziM9DUI

domingo, 18 de outubro de 2009

Preciosidades Roseanas...



"Quem vence é custoso não ficar com cara de demônio."

"Esquecer pra mim é quase igual perder dinheiro."

"Eu atravesso as coisas e no meio da travessia não vejo."

"O diabo não há, é o que digo, o que existe é o homem humano, travessia."

"Zebedelo falou com tanta raiva, que tudo que ele falou ficou sendo verdade."

Grande Sertão: Veredas


"Todo abismo é navegável a barquinhos de papel."

Conto Desenredo, Tutaméia


"Ele acredita em mentiras, mesmo sabendo que mentira é."

Urubuquaquá no pinhém


"Eu estava sobrando mais que ovo depois de dúzia..."


"Quando publicou seu primeiro livro de contos, Sagarana, seu amigo João Condé impôs-lhe o imposto Condé para escritores, que consistia em anotar nos espaços em branco de seu exemplar, uma explicação sobre a gestação da obra. Assim explicou-se o Rosa:

Eu tinha de escolher o terreno onde localizar as minhas histórias. Podia ser Barbacena, Belo Horizonte, o Rio, a China, o arquipélago de Neo-Barataria, o espaço astral, ou, mesmo, o pedaço de Minas Gerais que era mais meu. E foi o que eu preferi. Porque tinha muitas saudades de lá. Porque conhecia um pouco melhor a terra, a gente, bichos, árvores. Porque o povo do interior — sem convenções nem poses — dá melhores personagens de parábolas.”

De fato, o primeiro conto de Sagarana, O burrinho pedrês, foi ambientado aqui. Nele tem personagens com nomes reais como Juca Bananeira, Viriato, Badu, e outros que ele usou pseudônimo como o Major Saulo. A Fazenda ele mudou de Fazenda da Ponte, nome real, para Fazenda da Tampa, nome fictício. O Córrego da Fome foi mantido no real. No conto O duelo, o personagem Turíbio Todo morava em Vista Alegre, nome primitivo de Cordisburgo. Em a hora e a vez de Augusto Matraga, ele cita lugares não nossos, como “a Vargem, espécie de arrabalde que prolongava o arraial para lá da linha férrea” e a Ponte da Quininha.

Mas é na novela O Recado do morro que ele capricha nas coisas de Cordisburgo: O carroço que avoa do Catraz, era falado em tom de brincadeira pelo Sinval, sogro da nossa confreira Dona Haydée. O próprio Catraz foi inspirado pelo João Batata bobo de fazenda que freqüentava a Fazenda Remanso do seu amigo Oliveiro Torres. O seu Soandes que resolveu fazer umas asas e voar para o céu sem passar pelo tormento da morte, foi fato verídico acontecido por personagem daqui e que morava perto do seu Florduardo. E vários locais que existem de verdade na cidade ou no campo, foram pesquisados pelo Grupo Caminhos do Sertão e são mostrados aos grupos que nos visitam em sua maioria estudantes. Em trecho do livro ele diz o seguinte:

“Do que eles três falavam entre si, do muito que achavam, Pedro Orósio não acertava compreender, a respeito da beleza e da parecença dos territórios. Ele sabia — para isto qualquer um tinha alcance — que Cordisburgo era o lugar mais formoso, devido ao ar e ao céu, e pelo arranjo que Deus caprichara em seus morros e suas vargens; por isso mesmo, lá, de primeiro, se chamava Vista-Alegre."


Nenzito (José Maria)

Fragmento de discurso proferido na Academia Cordisburguense de Letras, em 31/07/2009.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


Na agradável companhia de Eusélia, nos intervalos da Oficina de contação de histórias ministrada recentemente no Campus X da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), em Teixeira de Freitas.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E la nave va...

Estou navegando em mar tranquilo,

com céu azul, vento a favor

e o coração em festa...

E la nave va...

Nenzito (José Maria)

Uma nova frente de trabalho...


Pessoal,


tenho a grata satisfação de comunicar a todas e todos que, a partir do dia 19 de outubro, estarei abrindo uma nova frente de trabalho na Secretaria de Assistência Social do Município de Betim, MG. Dentre minhas atividades, a formação de contadores de Histórias junto às comunidades de periferia e outros segmentos sociais. Trabalho gratificante, que desenvolverei com todo o coração...

No mais, estou aberto a novos trabalhos no tempo disponível.

Um abraço amigo do...


NENZITO